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A Doença dos Computadores ou Doença da Modernidade – LER

Há cerca de 3 séculos, um médico italiano de nome RAMAZZINI, estudou 54 profissões da época e descreveu as conseqüências para a saúde das “posições viciosas dos artesãos de cadeira como o alfaiate, os escribas e os sapateiros”. Como pode-se notar nesta época a doença ocupacional era motivo de preocupação.

Hoje, dentre as doenças ocupacionais uma tem se destacado e trazendo preocupação para os Sindicatos, para os Empresários e em especial para o trabalhador que é a LER – Lesões por esforços repetitivos ou também chamada atualmente de DORT – Distúrbios ósteomusculares relacionados ao trabalho.

É uma doença que representa um grupo de sintomas que caracterizam um grupo heterogêneo de doenças que comprometem a parte músculo – esquelética, em especial os membros superiores (os braços) e a região cervical (o pescoço).

Alguns dados sobre a LER:

Sexo: o sexo feminino é mais afetado chegando a ser de 70-80% em relação ao masculino. Na fase mais produtiva dos 25 aos 40 anos uma grande preocupação.

Atividades: bancários, metalúrgico, comércio, gráfico, etc.


Função: montador, digitador, caixa, escriturário, telefonista, etc.


Local afetado: punho, antebraço, mão, cervical, etc.


Quando se fala nesta patologia, é obrigatório que lembremos que é de um tratamento bastante difícil, oneroso e de resultados demorados na recuperação. O tratamento demanda grande força de vontade do trabalhador afetado e muita dedicação do paciente, do Médico Assistente, do Fisioterapeuta, do Psiquiatra ou Psicólogo, da Terapeuta Ocupacional e da Família. Por isso é grande a necessidade do melhor dos remédios que é a Prevenção.

As causas principais do surgimento da LER podem ser divididas em 3:

Postura inadequada no trabalho: braços elevados, pescoço excessivamente estendidos, punho fletido, punho estendido, sustentação estática dos antebraços, etc.

Má organização no trabalho – falta de material, encomendas extras, falta de pessoa, urgência, tempo padrão apertado, reengenharia do local, etc.

Fatores Psicossociais – pressão de produção, esquemas muito rígidos, questões salariais, chefia pouco capaz, etc.


Existem fatores que hoje em dia são inerentes dos trabalhadores como salário, stress, absenteísmo sobrecarregando os demais funcionários, horas extras, desprazer pelo trabalho, etc. tudo isto vindo a dificultar a prevenção, dentro de um contexto profissional de grande envolvimento empresa/empregado. Só este desenvolvimento poderá evitar a doença.

Diante do que foi dito, fica claro que a prevenção desta doença tem que ser atacada nos três pontos principais através de:

  • Organização mais adequada ao trabalho, redução da pressão no ambiente de trabalho, diversificação das tarefas a serem executadas, posturas adequadas ao trabalho a ser efetuado, controle da força exercida pelas mãos, diminuir a repetitividade através de pausas, etc.

O tratamento da doença em questão deve ser iniciada com afastamento do trabalho aos primeiros sintomas, tratamento clínico medicamentoso, fisioterapia, uso de órteses, repouso dos locais afetados, etc., podendo chegar até ao ato cirúrgico em casos muito especiais. Afastamento do local de trabalho com retorno apenas com recuperação bastante evidente ou em alguns casos adequar o trabalhador a outra atividade diferente da que efetuava.

Além do aspecto ergonômico, i.e., as mudanças nos locais de trabalho, a reengenharia dos móveis e das máquinas, de acordo com a NR-15 da CLT que dispõe sobre Ergonomia, tem-se que acompanhar o trabalhador desde seu exame pré-admissional e durante toda sua vida laboral na empresa, atendendo à NR-7, através do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional realizado pelo Médico do Trabalho.

Apenas com todos estes cuidados todos poderão sentir que Segurança e Saúde no Trabalho é um bom Negócio.


Dr. José Carlos Steola
Méd. Coord. DSO